Muito antes de os Irmãos Grimm registrarem esta história em 1812, na Alemanha, um conto italiano chamado Petrosinella, escrito por Giambattista Basile em 1634, já narrava a saga de uma jovem aprisionada em uma torre por causa de uma planta proibida. Portanto, a Rapunzel que conhecemos hoje carrega séculos de tradição oral, transformada e enriquecida a cada geração. O próprio nome “Rapunzel” vem do alemão antigo para “rabanete”, o vegetal que desencadeia toda a trama. Assim, ao ouvir esta história, lembre-se de que ela atravessou florestas, línguas e épocas até chegar, com toda a sua magia, aos seus ouvidos esta noite.
Era uma vez um casal que há muito tempo sonhava em ter um filho. Os anos passavam lentos, e a esperança parecia se apagar. Contudo, num amanhecer de primavera, a mulher sentiu que suas preces haviam sido finalmente atendidas: ela esperava uma criança. Além da alegria, havia também uma pequena janela nos fundos da casa, pela qual se podia avistar um jardim deslumbrante, repleto de flores e hortaliças viçosas. Todavia, aquele paraíso pertencia a uma feiticeira temida, e ninguém ousava cruzar seu muro altíssimo.
De repente, a mulher grávida avistou um canteiro de rabanetes tão verdes e frescos que um desejo irresistível tomou conta dela. Então, dia após dia, o anseio crescia, e ela foi definhando de tristeza. O marido, ao vê-la tão abatida, prometeu que traria os rabanetes, custasse o que custar. Assim que a noite caiu, ele escalou o muro, arrancou um punhado e correu de volta. A salada ficou tão deliciosa que, no dia seguinte, o desejo dela triplicou. Portanto, o homem precisou voltar.
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Na segunda invasão, porém, a feiticeira o flagrou. Com os olhos faiscando de fúria, ela exigiu um preço: o bebê que estava por nascer. Apavorado, o pai concordou. Assim que a menina nasceu, a feiticeira surgiu, batizou-a de Rapunzel e a levou para longe.
Rapunzel cresceu e tornou-se a criança mais bela sob o sol. Quando completou doze anos, a velha trancou-a no topo de uma torre no coração da floresta, sem porta nem escada, apenas com uma janelinha no ponto mais alto. Então, sempre que desejava subir, a feiticeira gritava: “Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!” E os cabelos dourados, finos como fios de ouro, despencavam vinte metros, servindo de corda para a subida.
Certo dia, um príncipe cavalgava pela floresta e ouviu um canto tão doce que parou, encantado. Contudo, não encontrou entrada alguma na torre. Inconformado, voltou muitas vezes, até que testemunhou a feiticeira subindo pelas tranças. Assim, na noite seguinte, ele repetiu o chamado. As tranças caíram, e ele subiu. Rapunzel, que jamais vira um homem, assustou-se, mas o príncipe falou com tanta ternura que ela se acalmou. Então, combinaram que ele traria meadas de seda para que ela trançasse uma escada e, finalmente, fugissem juntos.
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Todavia, um descuido revelou o segredo. A feiticeira, tomada pela fúria, cortou as belas tranças e abandonou Rapunzel num deserto distante. Além disso, preparou uma armadilha para o príncipe, que, ao descobrir a verdade, atirou-se da torre em desespero. Ele sobreviveu, mas caiu sobre espinhos que lhe roubaram a visão.
Durante anos, o príncipe vagou cego pela floresta, alimentando-se de raízes e lágrimas. Até que um dia, por acaso, ouviu uma voz familiar. Assim que se aproximou, Rapunzel o reconheceu e lançou-se em seus braços, chorando. Então, duas de suas lágrimas tocaram os olhos dele, e a visão retornou como por encanto.
Portanto, o príncipe levou Rapunzel e os filhos gêmeos que ela tivera no deserto para o seu reino, onde foram recebidos com festa e alegria. E ali, finalmente livres, viveram felizes para sempre.
= FIM =
Interpretação e moral da história
Os pais de Rapunzel são castigados pelo erro que cometem: invadem o jardim da feiticeira, para roubar seus rabanetes.
Assim, perdem a sua filha, aquilo que eles mais sonhavam ter.
A garota, por outro lado, também sofre as consequências, vivendo presa em uma torre isolada.
Quando o Príncipe descobre a bela moça lá no topo, se declara e resolve que irá libertá-la. O casal formula um plano, mas a vilã descobre tudo e corta os cabelos da jovem indefesa. Já o seu namorado acaba ficando cego, após cair num arbusto com espinhos.
Mesmo assim, ele jamais desiste de reencontrar a amada. Anos mais tarde, seus destinos se cruzam novamente e a força do amor restaura a visão do Príncipe.
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